Alexis Kauffmann

Tag: filosofada

A Engenharia Social do “novo homem” e a Administração Social do “homem livre”

by on Sep.20, 2011, under Pensamentos Avulsos

Como será esse tal de "novo homem"? Será de feito ferro?

Como será esse tal de "novo homem"? Será de feito ferro?

Basta ter assistido direitinho às aulas de Biologia no ensino médio para entender que , geneticamente, somos idênticos a nossos ancestrais de 10 mil anos atrás. Entre numa máquina do tempo e traga para nossos dias um bebê recém-nascido em 10.000 A.C. Dê-lhe amor, alimento, vacina, remédios, uma boa educação e esse bebê terá tanta probabilidade de se tornar engenheiro da computação, cirurgião gastrenterologista, assaltante de bancos ou político corrupto quanto qualquer outro bebê nascido em 2011.

Assim, toda filosofia que promete um “novo homem” a marteladas de ideologia e política está prometendo um produto que não pode entregar. Se há uma maneira de criar um “novo homem”, supondo que a Ciência vá progredir a tal ponto, é através da Engenharia Genética.

De fato, o homem, em si, não muda muito, nem através do tempo, nem de um lugar para outro. O que mudam são suas formas de organização social. Mesmo assim, após superarmos o deslumbramento inicial com a variedade aparente das organizações sociais humanas, descobrimos rapidamente que, em essência, elas se reduzem a apenas duas formas básicas.

De um lado, temos as sociedades em que um grupo de “iluminados” se reúne em torno do “grande iluminado”, um líder psicótico que vê a si mesmo como o grande “engenheiro social”. A sociedade é sua obra e, os indivíduos, as peças da grande engrenagem que ele monta e desmonta conforme o seu “julgamento superior”. Nesse tipo de organização, o indivíduo que resiste à “vontade superior” do “grande líder” é assassinado, em todos os sentidos que se pode conceder à palavra “assassinato”.

É assassinado em seu pensamento, bombardeado por uma ideologia que visa à eliminação da expressão de sua individualidade, de sua capacidade de pensar por contra própria. É assassinado moralmente ao ser exposto ao ridículo, à zombaria, por sua incapacidade de aceitar o que “todo mundo sabe”. É assassinado socialmente, ao lhe ser negado acesso a certos círculos, restritos ao “novo homem” forjado na psicose dos iluminados “engenheiros sociais”. É assassinado economicamente, ao lhe ser negado acesso aos meios de subsistência.

Aquele que, apesar de todos esses assassinatos, ainda resistir, terá sua presença assassinada na sociedade, ao ser enviado para uma prisão, um campo de concentração, um gulag. Ao recalcitrante, o assassinato físico não está descartado. Em casos mais sérios, até sua memória será assassinada pela fantástica obra da “Engenharia Social do Novo Homem”, com seu corpo submetido à cremação ou ao enterro em vala comum, em sepulcro não identificado; seus livros e obras destruídos; sua família, desterrada ou também submetida a uma ou mais formas de assassinato; seus amigos, perseguidos e silenciados.

Essa é primeira forma de organização social humana, que vem sendo empregada desde sempre, seja nas monarquias, teocracias ou repúblicas, de todas as cores e sabores. É talvez a mais comum, e a mais persistente ao longo da História.

Mais recentemente, vemos surgir um outro tipo de organização social, em que os homens que ocupam o poder veem a si mesmos como “administradores sociais”. A sociedade não é sua obra, mas obra do trabalho somado de todas as milhões de individualidades que a compõem. Nessas sociedades, ninguém pretende criar um “novo homem”, mas oferecer ao “homem livre” oportunidades de aproveitar ao máximo as suas potencialidades. Eles entendem que sua função é estimular certas atividades e desestimular outras, apaziguar os conflitos que inevitavelmente surgem das movimentações humanas e manter a ordem necessária ao desenvolvimento geral da sociedade.

No regime do “homem livre”, sob a égide dos “Administradores Sociais”, você tem a liberdade de experimentar e decidir por si mesmo. Você pode tentar carreira em uma empresa privada ou pode experimentar o serviço público. Você pode decidir se estabelecer como autônomo ou arriscar-se a abrir uma empresa. Você pode começar uma faculdade, largá-la e começar outra. Você pode ser ateu ou seguir uma fé, qualquer fé que você venha a escolher. Você pode apoiar ou falar mal do sistema, dos políticos, do governo, ou pode simplesmente se declarar apolítico e nem se interessar pelo assunto. Você pode optar por ser artista profissional, adotar a arte como um hobby ou simplesmente admirá-la como espectador. Você pode construir e reconstruir, fazer e desfazer o que quiser em sua própria vida, dentro dos limites da paz no convívio social, sem que nenhum autoproclamado mago iluminado do novo homem tenha o poder de interferir em suas escolhas.

Já no regime do “novo homem”, sob o poder dos “Engenheiros Sociais”, os magos iluminados da “sabedoria superior” decidem o que você deve pensar e fazer e assassinam os que não se submetem à sua vontade.

As vantagens do segundo tipo de organização social são tão óbvias que pode parecer estranho que o primeiro tipo ainda tenha defensores. Entretanto, vemos, na prática, todos os dias, uma intensa propaganda em prol do primeiro tipo de sociedade, uma defesa ávida de mais restrições à liberdade individual e um clamor crescente por um Estado mais controlador, censor, interventor.

Os motivos para a popularidade da primeira opção são os mais variados, mas minha intenção aqui é apenas lembrar a você que, caso a caso, discussão a discussão, o que está em jogo é uma escolha entre (1) a liberdade de ser quem você é, de ser o que você mesmo decide que quer ser, e (2) os planos mirabolantes de líderes psicóticos que querem fazer de você um “novo homem” que nem eles mesmos conseguem definir o que é.

Fonte da imagem: http://www.ambrosia.com.br/2010/01/08/divulgada-nova-armadura-do-homem-de-ferro/

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Como fabricante de navegador web, o Google é um ótimo buscador

by on Apr.07, 2010, under Pensamentos Avulsos

Google Chrome sofre crash ao acessar a página inicial do Google

Google Chrome dando pau ao tentar acessar a difícílima página inicial do próprio Google - captura de tela por Alexis Kauffmann

Desde o Google foi inventado, esta foi a primeira vez que vi um navegador web dar pau ao acessar a página inicial do Google. O autor da façanha não poderia ser outro senão o próprio Google Chrome, inventado por eles mesmos.

Deixo como assunto para reflexão: nem sempre é possível transferir a competência em uma área para todas as áreas relacionadas. Se você faz o melhor buscador, pense muito antes de decidir se vale a pena queimar seu filme fazendo um navegador web meia-sola, um contador de acessos pretensioso e impreciso, um pacote de escritório de baixíssima confiabilidade e recursos limitadíssimos

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Penso, logo Física

by on Jan.09, 2010, under Pensamentos Avulsos

Física é filosofia.

Quer ver? Preste atenção a esta definição de “Física”:

“Física é o conhecimento de tudo o que existe”.

Se existe, a Física estuda. Se não é Físico, não existe.

Gasparzinho

Fantasmas existem? Pergunte ao Gasparzinho!

E nesse ponto a Física vira Filosofia. Em que sentido a Física se atreve a dizer que algo “existe” ou “não existe”?

Fácil (mas longe de ser simples): uma coisa só existe fisicamente se sua “existência” independe de alguém acreditar nessa “coisa”.

Isso é duro, porque tudo aquilo em que acreditamos, de uma certa forma, “existe”, na medida em que condiciona aquilo que fazemos ou deixamos de fazer.

Se eu acredito em algo como “O Bem” e que é importante ser “Bom”, farei escolhas e tomarei decisões como se tal coisa existisse. Assim, para todos os efeitos práticos, para mim, “O Bem existe”.

Mas o “O Bem” é “Físico”? Podemos estudá-lo Fisicamente? Submete-se a regras e leis aplicáveis a outras coisas que sabemos “existir”?

A resposta, seja qual for, não pertence mais à “Física”, mas à Filosofia.

E quando o próprio elemento fundamental da definição de Física pertence não a ela própria, mas à Filosofia, só resta concluir que

[Da Capo].


Fonte da imagem: http://nectarfizz.files.wordpress.com/2008/02/casper.jpg

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Décadas

by on Dec.31, 2009, under Família, Pensamentos Avulsos

(Este alerta inicial deveria ser desnecessário, mas estou no negócio de blogs há tempo suficiente para saber que alguns leitores podem ser muito desagradavelmente literais, por isso, deixo registrado que tudo o que se segue não tem a pretensão de validade universal, não tem fundamento científico ou teórico de qualquer espécie, configurando apenas a impressão subjetiva do autor, sendo solicitado aos eventuais leitores que me poupem desse tipo de críticas e deixando claro que, caso sua opinião seja diferente da minha, sinta-se convidado a registrá-la nos comentários, desde que sem spam)

Daqui a pouco começam os “anos 10” do século XXI. Começam no calendário, lógico, porque, na vida, as décadas têm outros marcos que não a mera passagem dos dias no calendário.

Tommie Olofsson - "Killing Time" - 2005 - http://www.haltavista.com/justkillingtime.htm

Tommie Olofsson - "Killing Time" - 2005

Por exemplo, os anos de 1970 foram uma “década longa”. De fato, os “anos 70” começaram, no plano internacional, em maio de 1968; no Brasil, o marco é o AI5. Essa década se estende até 1982, com a descoberta do vírus da AIDS, ocasião em que o mundo acordou para uma nova Era em que o sex and drugs perdeu todo o rock’n'roll.

Os “anos 80” no Brasil, por outro lado, foram uma “década curta”. Para sermos precisos, a “década de 80” começa com um show da Blitz no Arpoador ali por volta de 1982 e terminam com a morte do Cazuza, em junho de 1990.

A “década de 90” arrasta-se entre as indefinições de Fernandos, Henriques e Collors, um nem vai nem fica de um mundo que não sabe mais o que pretende ser após a Queda do Muro de Berlim – o verdadeiro marco inicial da década – e os lentos progressos que acabaram levando ao tratamento com Coquetel Anti-AIDS. longe de ser uma cura, mas um remendo bem melhor do que nada.

Quanto aos “anos zero” primeira década do século XXI, ninguém discute que eles são “inaugurados” por Osama Bin Laden em 11 de setembro de 2001. É essa década que estamos vivendo agora, a década de Bush, com direito a Afeganistão, Iraque e crash no mercado imobiliário americano. No Brasil, é a década de Lula, do mensalão e do crescimento econômico, do dólar na cueca e do Bolsa Família.

Nestes 20 minutos que faltam para entrar em 2010, indago com meus botões quando veremos o marco da nova década, tremo só de pensar nas mil possibilidades e sorrio ao relaxar e lembrar que a realidade da surpresa é sempre maior do que os delírios da imaginação. E é por isso que vejo meus filhos dormindo e dou-lhes novamente minha bênção, com um grande sorriso e uma grande esperança de que saberemos enfrentar uma a uma as surpresas que esse novo ano nos reserva.

Feliz 2010 a todos vocês que lerem este texto!

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