(Este alerta inicial deveria ser desnecessário, mas estou no negócio de blogs há tempo suficiente para saber que alguns leitores podem ser muito desagradavelmente literais, por isso, deixo registrado que tudo o que se segue não tem a pretensão de validade universal, não tem fundamento científico ou teórico de qualquer espécie, configurando apenas a impressão subjetiva do autor, sendo solicitado aos eventuais leitores que me poupem desse tipo de críticas e deixando claro que, caso sua opinião seja diferente da minha, sinta-se convidado a registrá-la nos comentários, desde que sem spam)
Daqui a pouco começam os “anos 10” do século XXI. Começam no calendário, lógico, porque, na vida, as décadas têm outros marcos que não a mera passagem dos dias no calendário.
Por exemplo, os anos de 1970 foram uma “década longa”. De fato, os “anos 70” começaram, no plano internacional, em maio de 1968; no Brasil, o marco é o AI5. Essa década se estende até 1982, com a descoberta do vírus da AIDS, ocasião em que o mundo acordou para uma nova Era em que o sex and drugs perdeu todo o rock’n'roll.
Os “anos 80” no Brasil, por outro lado, foram uma “década curta”. Para sermos precisos, a “década de 80” começa com um show da Blitz no Arpoador ali por volta de 1982 e terminam com a morte do Cazuza, em junho de 1990.
A “década de 90” arrasta-se entre as indefinições de Fernandos, Henriques e Collors, um nem vai nem fica de um mundo que não sabe mais o que pretende ser após a Queda do Muro de Berlim – o verdadeiro marco inicial da década – e os lentos progressos que acabaram levando ao tratamento com Coquetel Anti-AIDS. longe de ser uma cura, mas um remendo bem melhor do que nada.
Quanto aos “anos zero” primeira década do século XXI, ninguém discute que eles são “inaugurados” por Osama Bin Laden em 11 de setembro de 2001. É essa década que estamos vivendo agora, a década de Bush, com direito a Afeganistão, Iraque e crash no mercado imobiliário americano. No Brasil, é a década de Lula, do mensalão e do crescimento econômico, do dólar na cueca e do Bolsa Família.
Nestes 20 minutos que faltam para entrar em 2010, indago com meus botões quando veremos o marco da nova década, tremo só de pensar nas mil possibilidades e sorrio ao relaxar e lembrar que a realidade da surpresa é sempre maior do que os delírios da imaginação. E é por isso que vejo meus filhos dormindo e dou-lhes novamente minha bênção, com um grande sorriso e uma grande esperança de que saberemos enfrentar uma a uma as surpresas que esse novo ano nos reserva.
Feliz 2010 a todos vocês que lerem este texto!

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